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Você o conhece?


O que você sabe sobre Deus? Quanto você o conhece? Onde busca informações sobre ele? Como se relaciona com ele?


No Salmo 19, o salmista Davi ergue seus olhos para o céu e começa a refletir sobre como Deus se deu a conhecer a nós. De forma poética e belíssima ele afirma:


“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia declara isso a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Sem discurso, nem palavras; não se ouve a sua voz. Mas sua voz se faz ouvir por toda a terra, e suas palavras, até os confins do mundo. Ali pôs uma tenda para o sol, que como um noivo sai do seu aposento, e como herói se alegra, a percorrer o seu caminho. Sai de uma extremidade dos céus e percorre até a outra extremidade; nada se esconde do seu calor” (Sl 19.1-6).


Ao observar os céus, o dia e a noite, o caminho do sol do nascente até o poente, Davi medita sobre a glória de Deus. A grandeza, o poder, a eternidade e a majestade do Criador tornam-se evidentes por meio das coisas criadas.


É interessante observar os verbos que o salmista usa: os céus proclamam, o firmamento anuncia, o dia declara, a noite revela... São verbos relacionados à fala, não é mesmo? Contudo, a criação “fala” sobre a glória de Deus sem discurso, nem palavras. E este contraponto soa incrível para mim: “não se ouve a sua voz. Mas sua voz se faz ouvir por toda a terra” (v. 3,4).


Esta autorrevelação de Deus por meio da criação é geral: “por toda a terra”, “até os confins do mundo” (v. 4), “de uma extremidade até a outra” (v. 6). Apenas observar a criação já seria suficiente para que todos os povos da terra glorificassem a Deus. Isso é afirmado claramente em Romanos 1.19-21:


“Pois o que se pode conhecer sobre Deus é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, seu eterno poder e divindade, são vistos claramente desde a criação do mundo e percebidos mediante as coisas criadas, de modo que esses homens são indesculpáveis; porque, mesmo tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças...”


O que se pode conhecer sobre Deus é o que o próprio Deus revelou (manifestou). E aqui há outro contraponto incrível: os atributos invisíveis de Deus são vistos claramente por meio das coisas criadas! Ainda assim, há os que rejeitam o conhecimento de Deus e não o glorificam – e por isso são indesculpáveis.


Na criação, os contornos do caráter de Deus são pintados com pinceladas largas. Mas há um conhecimento ainda mais profundo, um esboço do caráter de Deus escrito com uma caneta de ponta fina.1 E é nisso que o salmista passa a meditar na continuação do Salmo 19:


“A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é limpo e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos. São mais desejáveis que o ouro, sim, do que muito ouro puro, mais doces do que o mel que goteja dos favos. Também o teu servo é advertido por meio deles, e há grande recompensa em segui-los” (Sl 19.7-11).


O salmista havia erguido seus olhos aos céus, e agora ele os volta para a Palavra do Senhor. Lei, testemunho, preceitos, mandamento e juízos são sinônimos usados para se referir à Palavra de Deus. Todos esses termos têm a ver com palavra, falada ou escrita. São a autorrevelação específica de Deus, por meio da qual ele nos deu a conhecer suas leis, seu padrão, seu próprio caráter.


É muito interessante que o clímax da autorrevelação de Deus, aquele para quem todo o Antigo Testamento aponta e que o Novo Testamento revela, é chamado de Palavra, ou Verbo: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito existiria. [...] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, pleno de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (Jo 1.1-3,14).

Este Verbo é Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Bíblia declara que “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15). O Deus invisível pode ser visto em Jesus! O próprio Jesus disse: “Quem vê a mim, vê o Pai” (Jo 14.9).


O autor aos Hebreus também afirma: “No passado, por meio dos profetas, Deus falou aos pais muitas vezes e de muitas maneiras; nestes últimos dias, porém, ele nos falou pelo Filho, a quem designou herdeiro de todas as coisas e por meio de quem também fez o universo. Ele é o resplendor da sua glória e a representação exata do seu Ser...” (Hb 1.1-3).


Jesus é a representação exata do Ser de Deus. Para conhecer a Deus, é preciso conhecer a Jesus. Não apenas com um conhecimento intelectual, mas com um relacionamento pessoal, por meio da fé. Esse relacionamento deve se basear na Palavra do Senhor, através da qual ele se deu a conhecer como o Salvador. Você o conhece?


No Salmo 19, os sinônimos usados em referência à Palavra de Deus mostram sua natureza autoritativa: lei, testemunho, preceitos, mandamento e juízos devem ser obedecidos. Eles são a norma, descrevem o reto e perfeito padrão de Deus. O que me faz pensar: Tenho considerado a Palavra do Senhor autoridade em minha vida? Ela é a palavra final em todos os assuntos de fé e prática? Eu recorro a ela para me orientar nas questões da vida? E eu a conheço suficientemente para que isso aconteça na prática?


O salmista declara as qualidades da lei de Deus: ela é perfeita, fiel, reta, pura, limpa, verdadeira e inteiramente justa. Deus é assim, por isso sua Palavra é assim! Ao perceber a perfeição da lei do Senhor, Davi afirma que ela é mais desejável que o ouro e mais doce do que o mel. Será que eu também a desejo e valorizo tanto assim?


Além de qualificar a Palavra do Senhor, Davi descreve seus efeitos e benefícios: ela restaura a alma; dá sabedoria aos simples; alegra o coração; ilumina os olhos; permanece para sempre; adverte; traz grande recompensa aos que a seguem.


Quantas mulheres têm necessitado exatamente disto: restauração da alma! Alegria do coração! E onde têm buscado? Muitas vezes, em outras fontes; outras pessoas, outros campos de conhecimento, outros especialistas... Mas a Palavra de Deus nos dá isso!


Quantas de nós precisamos de sabedoria! Precisamos ter nossos olhos iluminados, precisamos de direcionamento para tantos desafios e papéis da vida. E onde temos buscado? Quantas vezes deixamos que pessoas sem qualquer temor de Deus e sem nenhum conhecimento da Palavra nos digam como devemos agir como mulheres, tratar nossos maridos, criar nossos filhos, avançar em nossa carreira, cuidar (ou não cuidar) do nosso lar e assim por diante... Quão mais sábio seria buscar essas respostas na Palavra do Senhor! Pois há grande recompensa em segui-la.


Davi ergueu seus olhos aos céus; então, voltou seus olhos para a Palavra. E, por fim, ele baixa seus olhos em humildade. Pois, além de revelar quem Deus é, a Palavra revela quem nós somos:

“Também o teu servo é advertido por meio deles [...]. Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que me são ocultos. Guarda também o teu servo da arrogância, para que não me domine; então, serei íntegro e ficarei limpo de grande transgressão. As palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, minha rocha e meu redentor!” (Sl 19.11-14).


Uma das verdades mais assustadoras que a Bíblia implora para que reconheçamos é que não conhecemos o nosso próprio coração.2 Ele é enganoso e desesperadamente corrupto, e apenas o Senhor o conhece inteiramente (Jr 17.9,10). Então, graciosamente, Deus segura o espelho de sua Palavra, e meu coração é exposto.3


Os juízos do Senhor, que são verdadeiros e inteiramente justos, advertem a mim – que não sou verdadeira nem inteiramente justa. A lei do Senhor, que é perfeita, mostra a imperfeição dos meus caminhos e me faz discernir meus próprios erros. O mandamento do Senhor, que ilumina os olhos, me faz enxergar meus pecados ocultos.


Ao passar por essa experiência, de ter o coração exposto pela Palavra de Deus e meus pecados revelados, o que eu faço? Aceito humildemente os juízos do Senhor e recorro àquele que é perfeito e cumpriu toda a lei em meu lugar, Jesus Cristo? Ou rejeito a verdade do Senhor, endureço o coração e continuo em meu próprio caminho? Creio que é por isso que o salmista clama que Deus o guarde da arrogância, para que ela não o domine. Pois é aos simples que a Palavra dá sabedoria, não aos arrogantes.


Para conhecer a Deus, preciso de sua Palavra. Para conhecer a mim mesma, preciso de sua Palavra. E esse conhecimento, que não é um acúmulo de informações, mas um relacionamento pessoal com aquele que é “minha rocha e meu redentor” (v. 14), cria em mim o desejo de agradá-lo: “As palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor” (v. 14).


Que eu o conheça cada vez mais e viva para agradá-lo!


E você, já o conhece?


Priscila Michel Porcher


Priscila é esposa do Marzo e mãe do João Victor e da Laila. Membro da Primeira Igreja Batista em Indaiatuba, onde ama servir ao Senhor junto às mulheres e na turma de Juniores. É formada em Letras, trabalha com revisão de Português e escreveu Meninos como você, da Editora Peregrino.


Referências

1.Wilkin, Jen. Incomparável: 10 maneiras em que Deus é diferente de nós (e por que isso é algo bom). São José dos Campos, SP: Fiel, 2017, p. 38.

2.Ibid, p. 42.

3.Ibid, p. 43.

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