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Quando Deus não ouve


Você ora regularmente? Seja na privacidade de casa, ou nos cultos públicos de sua igreja? Basta orar muito e com sinceridade que Deus nos ouve, certo?! Calma, espera... sabia que pode ser que Deus não ouça você?! Mesmo que seja com muita intensidade e sinceridade! Sim, e não é porque Ele não consegue ouví-lo, ou você não esteja orando da maneira correta! É porque Ele não quer ouvir as suas orações! Sim, foi isso mesmo que você leu, “Ele não quer ouvir as suas orações”!

 

Por que digo isso? Na verdade, não sou eu quem diz, é a Escritura. Veja Isaías. Em um dado momento de sua história, o Antigo Israel vivia a contradição de prestar culto a Deus, mas com o coração distante dEle. O povo ia regularmente ao Templo, sacrificava a Deus, observava os ritos, mas não como expressão de amor ao Senhor. É por isso que essa contradição foi vastamente denunciada pelos profetas desde o Antigo Testamento. Veja o que o Senhor disse:

 

"Não continueis a trazer oferta inútil; para mim é incenso abominável. Luas novas, sábados e convocações de assembleias; não suporto maldade com solenidade! A minha alma aborrece as vossas luas novas e as vossas festas fixas. Já me são pesadas! Estou cansado de suportá-las! Quando estenderdes as mãos, esconderei os olhos de vós; e ainda que multipliqueis as orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Is 1.13-15).

 

Veja só, Deus disse que “ainda que multipliqueis as orações, não as ouvirei”! Por quê? O contexto responde: “porque as vossas mãos estão cheias de sangue”. Ou seja, o que eles faziam uns com os outros era a expressão de seu relacionamento com Deus, independente da observância de seus ritos.

 

Uma das coisas que tem me chamado muita a atenção no relato do início do cristianismo, conforme registrado pelos Evangelhos e por Atos, é que os primeiros a rejeitar e perseguir a fé cristã foram justamente os religiosos! Não, não foram os ímpios, idólatras e arrogantes romanos, mas os religiosos de Israel.

 

Os fariseus foram um dos segmentos religiosos do judaísmo antigo dos mais zelosos de todo o Israel. Eles observavam inúmeras regras no que diz respeito a toda a vida, desde o acordar, até a hora de dormir. Só pra termos uma ideia, no que tange ao sábado, os rabinos desenvolveram uma lista de 39 atividades principais, subsequentemente divididas em seis categorias menores para cada uma delas, todas proibidas de serem praticadas no sábado.​ Por exemplo, era proibido arar a terra no sábado. Diante disso então, vem uma série de regras atá os dias de hoje: é proibido revolver a terra com ajuda de animal, arado ou trator; é proibido arrastar um banco pesado ou brincar com bolas de gude sobre o solo.; é proibido acender fogo (aumentar, prolongar ou propagá-lo)​, etc.

 

Diante de tanto zelo, é de se esperar que estas pessoas fossem os mais próximos de Deus, correto? Não! Em Marcos 3, vemos Jesus na sinagoga. Este era o local de culto no judaísmo do tempo de Jesus. Sendo assim, um local de adoração a Deus por parte daqueles que são religiosos, inclusive os fariseus. Sabe o que é surpreendente? Veja o que Marcos diz que aconteceu:

 

“Os fariseus conspiraram com os herodianos contra ele, a fim de o matar” (Mc 3.6).

 

Incrível, você não acha? Os mais religiosos dentre os religiosos (ainda mais em seu local de culto), conspiravam pra matar Jesus!

 

Em Atos não é diferente. A primeira perseguição à Igreja Primitiva se deu logo após a segunda pregação de Pedro (At 4). Após sua pregação, Pedro e João foram presos. Sabe por quem? Os sacerdotes (At 4.1). Em At 4.5,6, especifica mais: líderes religiosos, escribas, o sumo sacerdote e seus parentes.

 

Por quê? Por que é possível sermos religiosos zelosos e ainda assim estarmos perdidos? A questão não é somente a sinceridade. Paulo era um religioso. Ele era sincero em seu zelo religioso (Ele orava muito!). O problema não é a ausência de sinceridade. O problema está no fundamento da religiosidade, que é a confiança nas boas obras. É a confiança de que se fizermos tudo certo agradaremos a Deus e Ele irá nos recompensar.

 

Entretanto, Jesus é diametralmente contra essa ideia. Primeiro ele ensinou que o coração do homem é corrupto e não é a observação de ritos que vai purificá-lo (Mc 7). Depois, Ele ensinou que somente aqueles que se chegam a Ele em humilde fé são agradáveis a Deus (Mc 18.9-14).

 

Em outras palavras, somente o reconhecimento de nossa incompetência de agradar ao Senhor, e a fé exclusivamente na pessoa e obra de Jesus Cristo é que nos religa com Deus. Somente o verdadeiro Evangelho nos reconcilia com Deus, transforma o nosso coração corrupto e nos dá relacionamentos genuínos com os outros.

 

É por isso que os religiosos se colocam contra o Evangelho. Por quê? Porque o Evangelho os ofende! Tira deles qualquer pretensa possibilidade de salvar a si mesmos e aos outros, por meio da observância de ritos. Dessa forma, se colocam contra à verdadeira salvação que o Evangelho oferece pela fé exclusiva em Cristo.

 

Sendo assim, ainda hoje existem inúmeros religiosos que frequentam semanalmente as igrejas e fazem muitas orações. Não questiono a sua sinceridade. O seu erro está em preferir viver uma vida de religiosidade, de confiança nas suas próprias boas obras como meio de se achegar a Deus. A consequência disso é a vida dupla. São zelosos na frequência a cultos e deveres como orações e doações, mas muito distantes do relacionamento genuíno com Deus e consequente verdadeira comunhão com os irmãos.

 

Que o Senhor nos livre de prestar culto a ele, com um coração distante dEle.

 

Pr. Nelson Galvão

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