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Não estamos cansadas de ouvir!


Recentemente, em um encontro de mulheres, uma querida irmã mencionou uma passagem bíblica e disse algo como: “Sei que vocês já estão cansadas de ouvir, mas vamos abrir no conhecido texto de Tito 2”. Enquanto abria a Bíblia em Tito, refleti, com certa tristeza, no fato de que não temos ouvido e falado sobre esse texto tanto quanto deveríamos. Afinal, é uma passagem que se refere diretamente a nós, mulheres cristãs mais velhas e mais jovens. Fui confrontada com a necessidade de me debruçar sobre esses versículos e meditar no que Deus diz ali para as mulheres.1


O texto afirma:

“Tu, porém, fala o que está em harmonia com a sã doutrina. [...] as mulheres mais velhas, de igual modo, sejam reverentes no viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem o marido e os filhos, a serem equilibradas, puras, eficientes no cuidado do lar, bondosas, submissas ao marido, para que não se fale mal da palavra de Deus” (Tt 2.1,3-5).


O capítulo começa com uma exortação de Paulo ao jovem pastor Tito: Que ele falasse o que está em harmonia com a sã doutrina, ou seja, de acordo com a verdade. A preocupação de Paulo com o ensino da verdade é bastante visível na carta (Tt 1.1,9; 2.1,7). E por quê? Porque o ensino da verdade, da sã doutrina, conduz a uma vida sábia, de devoção e piedade (Tt 1.1).


Por outro lado, ensinos falsos produzem grandes estragos: “Porque há muitos insubordinados, meros faladores e enganadores, principalmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar, pois, motivados pela ganância, transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém” (Tt 1.10,11; “... com seus ensinamentos falsos, têm desviado famílias inteiras da verdade” [NVT]). Não é de hoje que casas e famílias inteiras têm sido transtornadas porque desconhecem ou rejeitam a verdade.


Então, em harmonia com a sã doutrina, Paulo menciona o que Tito deveria ensinar a cada grupo específico na igreja: aos homens mais velhos (Tt 2.2); às mulheres mais velhas (Tt 2.3); aos jovens (Tt 2.6); aos servos (Tt 2.9,10); a todos os crentes (Tt 2.11–3.8). “Paulo diz essencialmente: ‘Quando há um grupo de cristãos vivendo como deveria, desempenhando os papéis para os quais Deus os criou, aqui está como isso deve se dar na prática’.”2


Assim, na prática, mulheres mais velhas alcançadas pela graça de Cristo e conformadas à sã doutrina seriam:

- reverentes no viver;

- não caluniadoras;

- não dadas a muito vinho;

- mestras do bem;

- aptas para ensinar as mulheres novas a... (o que vem no lugar das reticências é muito importante, já vamos falar sobre isso).


Como alguém que está no meio da jornada (que se encaixa em ambos os grupos, conforme a conveniência), preciso pensar de duas formas. A primeira: é este o tipo de mulher mais velha que eu admiro, aprecio, respeito, imito? É com mulheres assim que estou aprendendo? E a segunda reflexão que preciso fazer: é este o tipo de mulher mais velha que estou me tornando? É nestas coisas que estou me “especializando”?


E o que as mulheres mais velhas deveriam ensinar às mais jovens? (Repare: Não seria Tito a ensinar as moças, e sim mulheres mais velhas.) A...

- amar o marido;

- amar os filhos;

- ser equilibrada/prudente;

- ser pura;

- ser eficiente no cuidado do lar/trabalhar no lar/estar ocupada em casa;

- ser bondosa/fazer o bem;

- ser submissa/sujeita ao marido.


Que lista contracultural, não é mesmo? A simples menção de algumas dessas palavras já nos causa arrepios. Definitivamente, essas não são prioridades femininas “em nossa era autocentrada e ferozmente individualista”,3 em que a escolha certa sempre é você em detrimento dos outros; em que o bem-estar coletivo foi claramente solapado pelos interesses individuais; em que o empoderamento feminino é ter sucesso lá fora, enquanto os papéis de esposa e mãe são ativamente desprezados; e em que lutar pelos direitos das mulheres enquanto classe parece muito mais digno do que proteger e cuidar da sua própria família. Podemos facilmente descartar esse texto como sendo ultrapassado, antiquado e não aplicável ao século 21.


Não estamos cansadas de ouvir. Talvez estejamos escolhendo não ouvir.


Sobre essa passagem de Tito, a autora Rebekah Merkle afirma:


“Isso pode parecer incrivelmente restritivo para muitas pessoas – como se Paulo estivesse descrevendo uma vida de tédio, monotonia, silenciosa e hedionda em geral. Mas, antes de ficarmos ofendidas demais, pense no que seria o oposto da lista de Paulo e veja qual delas soa mais condizente com fé e graça. Imagine uma cidade (ou uma igreja) cheia de mulheres idosas ímpias e bêbadas que passam seu tempo acusando falsamente as pessoas e, nos momentos de folga, ensinando as jovens a serem desenfreadas, a não amarem seus maridos, a não amarem seus filhos, a não serem discernentes, a serem imorais, a ignorarem seus lares, a serem más e desobedientes a seus maridos. Hum. [...] parece uma noite típica da TV no horário nobre. Portanto, em vez de ficarmos ofendidas com Paulo aqui, juntemo-nos a ele nessa questão, submetamo-nos à Palavra de Deus, confiando que ele tem coisas boas reservadas para nós, e não coisas miseráveis especialmente projetadas para nos fazer desperdiçar todos os nossos dons e habilidades.”4


Às vezes, sinto como se isso fosse um segredo que não estamos contando às meninas e jovens mulheres. Parece que precisamos sussurrar aos seus ouvidos estas verdades: Deus valoriza a família. O casamento é ideia dele. É bom ser casada. Se você tiver um marido, deve aprender a amá-lo, em vez de viver para si mesma. Ser solteira também é bom; é um chamado para viver em santidade, não para si mesma, mas para o Senhor (1Co 7.25-35). Para as casadas, é bom ter filhos; eles são uma herança que o Senhor dá, e não um dano à sua silhueta, um empecilho à sua carreira ou um obstáculo para os seus sonhos. Você precisa aprender a amá-los e, para isso, terá de abrir mão de algumas coisas. Ah, e o seu caráter também importa: você deve ser equilibrada, pura, bondosa... Eu já estava esquecendo: Deus se preocupa também com o seu lar. O que você faz dentro de casa é para Ele, e deve ser uma de suas prioridades. O que você faz fora de casa também é para Ele e para o bem da sua família; seus esforços devem ser voltados para os seus. E submissão? Sim, ela é boa também. Você deve se sujeitar à liderança de seu marido como a igreja se submete à liderança de Cristo.


Você está cansada de ouvir essas coisas? Se não for a igreja a proclamar a verdade, quem o fará?

Mas não precisamos apenas ouvir a verdade. Precisamos vê-la. As mulheres mais velhas só estarão aptas para ensinar aquilo que praticaram, o que realmente viveram em sua jornada. Elas ensinarão não apenas aos ouvidos, mas principalmente aos olhos. O exemplo é o professor mais confiável e eloquente.


Qual será o resultado de viver assim, de acordo com a sã doutrina, amando o que Deus ama e valorizando o que ele valoriza? O finalzinho de Tito 2.5 nos responde: “para que não se fale mal da palavra de Deus”. Ao observarem mulheres mais velhas vivendo de forma reverente e equilibrada e ensinando as mais jovens a amar, ser e fazer o que Deus espera delas, os incrédulos não poderão difamar ou blasfemar contra a Palavra de Deus. Essa passagem descreve


“a maneira como [as mulheres] podem fazer brilhar a luz do evangelho sobre uma cultura perdida e pecaminosa. Temos que confiar em Deus aqui, porque, com muita frequência, queremos decidir nós mesmas aquilo que será um bom testemunho. Deus diz: ‘Aqui está como dar um bom testemunho’, e nós achamos que ele não entende as nuances da sociedade moderna da maneira como entendemos”.5


Como igreja, devemos honrar e reconhecer as mulheres mais velhas que têm vivido em conformidade com a Palavra do Senhor, dando bom testemunho da forma como Deus diz que deve ser. E, sabe, só há uma maneira de viver assim. Essas “listas” para mulheres não são itens a serem conquistados por nossos próprios esforços. Serão o resultado de uma vida transformada pelo evangelho e conformada à sã doutrina, que depende inteiramente e diariamente da graça do nosso Senhor Jesus Cristo.


É o que vemos em Tito 2.11-14:


“Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens e ensinando-nos para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos neste mundo de maneira sóbria, justa e piedosa, aguardando a bendita esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus, que se entregou a si mesmo por nós para nos remir de toda a maldade e purificar para si um povo todo seu, consagrado às boas obras.”


A graça de Deus, revelada em Cristo Jesus, nosso único e suficiente Salvador, nos ensinará e nos capacitará a viver como Deus deseja. Que o Senhor nos ajude a chegar lá. E que nunca cansemos de ouvir a verdade de Deus, que conduz a uma vida que O agrada.


Priscila Michel Porcher


Priscila é esposa do Marzo e mãe do João Victor e da Laila. Membro da Primeira Igreja Batista em Indaiatuba, onde ama servir ao Senhor junto às mulheres e na turma de Juniores. É formada em Letras, trabalha com revisão de Português e escreveu Meninos como você, da Editora Peregrino.


Referências

1Existe um livro dedicado inteiramente a compreender e aplicar os princípios bíblicos de Tito 2 para as mulheres: Kassian, Mary A. e DeMoss, Nancy Leigh. Mulher: dez elementos da feminilidade, design interior: um estudo de dez semanas. São Paulo: Shedd Publicações, 2018.


2Merkle, Rebekah. Eva no exílio: a restauração da feminilidade. São Paulo: Trinitas, 2020, p. 140.


3Oshman, Jen. Feminilidade distorcida: confrontando cinco tendências culturais. São José dos Campos, SP: Fiel, 2022, p. 206.


4Merkle, Rebekah. Op. cit., p. 140,141.


5Merkle, Rebekah. Op. cit., p. 142.


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