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Lições do sofrimento de um homem correto - Parte 3

Atualizado: 11 de abr. de 2023


Todos enfrentamos aflições. Seja o desemprego, a morte de um ente querido, a doença, ou injustiças, as lágrimas nos sobrevêm, de um jeito ou de outro.


A grande questão é: como reagimos diante do sofrimento? Bem, quer saber como eu normalmente reajo? Com desespero, amargura, queixas de tudo e de todos. Você também?! Bem-vindo ao clube!


Entretanto, me permita compartilhar um caminho diferente que aprendi nas Escrituras.


Na série “Lições do sofrimento de um homem correto”, já vimos, a partir da experiência de Jó, que: (1) Uma vida correta não implica em ausência de sofrimentos; (2) O sofrimento é restringido pela soberania de Deus.


O terceiro ensinamento que pode ser apreendido através da experiência de Jó está na reação imediata dele ao receber as notícias de seu infortúnel (1:20-22; 2:7-10).


Depois de ouvir de sua desventura, sentir sua miséria, presenciar o desfalecimento de todos os aportes relacionais, emocionais e materiais de um ser humano, veja o que Jó fez: “rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou.” (Jó 1.20).

Perceba que Jó não negou o seu sofrimento. Ao contrário, rasgar o manto, rapar a cabeça e lançar-se em terra era um costume semítico de expressão de profunda dor, angústia. Aquele homem não fugiu do problema, o encarou de frente, o abraçou!


Entretanto, Jó vai além. Diz o texto que ele adorou. Incrível! Ele adorou! Que momento para isso! Ao contrário de toda a expectativa, inclusive de sua mulher que lhe aconselhou que amaldiçoasse a Deus e morresse, Jó adorou.


A atitude de Jó se contrapôs ao que o diabo afirmou a respeito dele. Lembra? A acusação demoníaca era:


“Por acaso tu não o tens protegido de todos os modos, a ele, sua família e tudo que ele tem? Tu tens abençoado a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicam sobre a terra. Mas estende a mão agora e toca em tudo que ele tem, e ele blasfemará contra ti na tua face!” (Jó 1.10,11).


Como sempre, Satanás estava errado! A devoção de Jó a Deus superava os limites do bem-estar.


Com isso, eu penso que a adoração a Deus independe das circunstâncias; ou seja, nossa devoção a Deus deve superar as imposições do sofrimento.


É de se esperar que diante do infortúnel, das tragédias, das vicissitudes, o ser humano se desespere, viva em murmurações, queixas amargas a tudo e a todos, amaldiçoe a Deus, e a morte passe a ser uma alternativa atraente.


Na crise econômica de 1929, com a quebra da bolsa de valores de Nova York, foi exatamente dessa forma que inúmeros norte-americanos reagiram. Muitos cometeram o suicídio.


Essa não foi a reação de Jó. Sua devoção estava acima das circunstâncias que o acometeram, fossem boas ou ruins. Me parece que essa foi a mesma atitude de Estevão (At 7), de Epafrodito (Fl 4:30), de Pedro na ocasião de seu martírio, de milhares de outras pessoas na história que preferiram a morte a negar o Senhor.


É nessa perspectiva que compreendemos melhor a galeria da fé de Hebreus:


“Uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões; foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra.” (Hb 11.35-38).


E como isso é possível? Bem, não é mera resiliência. O argumento do autor de Hebreus é que a fé os levou a manter-se firmes, mesmo diante de dissabores tão atrozes. Eles reconheciam que a pessoa de Cristo era a fonte de sua alegria (Hb 11.26).


A fé em Cristo nos faz estar satisfeitos em Deus de tal maneira que nos leva a erguer a cabeça acima da névoa da aflição.

Essa foi a experiência de Habacuque quando terminou o seu livro afirmando:


“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas videiras; ainda que o produto da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado do estábulo e não haja gado nos currais; mesmo assim, eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no Deus da minha salvação.” (Hc 3.17,18).


No livro “Torturados por amor a Cristo”, Richard Wurbrand relata as atrocidades cometidas pelos comunistas durante a Guerra Fria, especialmente na Romênia. Em um de seus relatos, conta sobre um homem que durante anos foi preso e torturado em prisões soviéticas. Todos os dias seu carcereiro perguntava-lhe: “Está pronto para apanhar?” A resposta era: “Não. Mas se for por causa da minha fé pode começar”.


Eu sei que para a igreja ocidental esse tipo de relato soa como sensacionalismo, uma vez que não passamos por perseguições dessa natureza (ainda!!). Todavia, ele deveria ser seriamente levado em consideração e nos auxiliar, minimamente, à reflexão: como anda nossa devoção a Deus? Será que nossa dedicação a Ele depende diretamente das circunstâncias favoráveis?


Todo nós enfrentamos dissabores na vida. Seja um chefe que é desonesto e nos persegue porque somos honestos, um marido que não conhece o Senhor, uma doença inesperada, um desemprego súbito, um filho rebelde, uma mãe insensata, um pai que abandona a família. A grande questão é: a nossa alegria está em Deus de tal maneira que o adoramos, mesmo em meio às lágrimas?


Pr. Nelson Galvão

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2 Comments


Robersandro Scachetti
Mar 21, 2023

Creio que tudo que ocorre, seja uma situação boa ou ruim é porque Deus permitiu para nos proteger, nos advertir para termos um aprendizado e poder evoluir no entendimento das escrituras.

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Erica BARBOSA
Erica BARBOSA
Mar 21, 2023

Louvado seja Deus em todo tempo

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