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Lições da Campanha


A campanha política de 2022 ainda não acabou. Ainda vivemos o que se chama de 3º turno. No momento que escrevo, o presidente ainda não se pronunciou, existem manifestações cada vez maiores em todo o país. Realmente não se sabe o que acontecerá daqui pra frente.


A despeito de todo o clima de incertezas, tenho refletido sobre o período da campanha e gostaria de compartilhar com você alguns dos meus pensamentos:


1. O mal não venceu

A campanha foi marcada por um discurso dualista de guerra do bem contra o mal. (Preciso dizer aqui que rejeito as pautas identitárias da esquerda, bem como seu discurso hipócrita em favor dos pobres que um dia me deixei levar).


Levando em consideração esse discurso dualista, somos obrigados a admitir que o mal venceu, mesmo que o resultado da eleição nos encha de dúvidas sobre sua validade.


Tadavia, as Escrituras nos mostram que, embora exista uma guerra entre o bem e o mal, esse dualismo não é absoluto. Deus é soberano e controla até mesmo as ações do mal (c.f: Jó).


2. As profecias não se cumpriram

Durante a campanha, foram pronunciadas um sem número de profecias a respeito da vitória de Bolsonaro.


O misticismo de nosso povo as acolhe cegamente como oriundas de Deus e não consegue perceber que isso é “tomar o nome do Senhor teu Deus em vão” (Ex 20.7).


3. A Bíblia foi usada aleatoriamente

Quem se lembra do “conhecereis a verdade e ela vos libertará”? Esse e outros textos foram tirados de seu contexto canônico bíblico de maneira vergonhosa, e usados ao bel prazer dos candidatos e também, ainda mais vergonhosamente, de pastores que os apoiam.


4. Determinamos, declaramos, mas...

Inúmeros cultos foram feitos em que os pastores, bispos, apóstolos determinavam, declaravam palavras de ordem para a vitória de Bolsonaro. Essa foi mais uma expressão da Teologia da confissão positiva. Mas obviamente não deu certo!. Isso deveria levar essas pessoas a refletir a respeito do que a Palavra de Deus realmente diz sobre como deve ser as nossas orações. Sugiro que comecem pela oração que o Senhor nos ensinou: “Seja feita a Tua vontade assim na terra, como no céu” (Mt 6.10).




5. Púlpito não é lugar de política

Entendo que este pleito nos fez despertar ainda mais para a importância de nosso envolvimento na política. Sim, devemos participar ativamente e deixar muito claro os nossos princípios cristãos.


Entretanto, devemos fazer isso da maneira correta. O que vimos foi uma confusão perigosíssima entre Politica e Igreja. A história já mostrou que todas as vezes que isso aconteceu, a Igreja deixou o verdadeiro Evangelho.


6. Feminismo não se enfrenta com feminismo

No 2º turno eleitoral houve uma caravana de mulheres de direita fazendo comícios especialmente no Nordeste. O esforço era mostrar que Bolsonaro não é machista e fazer frente contra o feminismo de esquerda.


Entretanto, tudo o que vi foi o feminismo de direita atacando o feminismo de esquerda, o que considero irônico, pois, no fundo, os dois são a mesma coisa.


7. Princípios bíblicos não podem ser flexibilizados em prol de nenhuma ideologia

Vi tristemente pastores de igrejas, até mesmo históricas, se posicionando em favor de pautas identitárias que são contrárias aos princípios inegociáveis da Palavra de Deus, como: questão de gênero, aborto, etc. Esses homens só mostraram como inúmeros teólogos brasileiros têm sido influenciados pela Teologia Liberal e Neoliberal (“neo-ortodoxa”, como alguns preferem).


8. A proclamação do Evangelho não depende da influência política da Igreja.

O discurso triunfalista de muitos líderes evangélicos tem mais haver com sede pelo poder do que com o testemunho do Evangelho. A pregação da Palavra de Deus não depende de termos um presidente evangélico, um ministro do STF evangélico, uma bancada de deputados e senadores evangélicos. Leia o livro de Atos. A mensagem do Evangelho sacudiu a palestina, sem que a igreja tivesse qualquer influência política.


Precisamos lembrar que o Reino de Deus já está entre nós, mas ainda não de maneira visível. Isso acontecerá no dia que o Nosso Grande Rei voltar e isso não acontecerá como resultado da ação política da Igreja.



9. A nossa esperança deve estar somente em Cristo, jamais em homens

Que triste ver muitas igrejas colocando a esperança de dias melhores em um homem. Chegaram até mesmo a colocar em Bolsonaro a expectativa de que ele seja um “ungido” (aliás, mais uma interpretação entorpecida que fazem das Escrituras).


10. Jesus é Rei

Ainda que o mal aparentemente avance e o caos seja tudo o que conseguimos ver, precisamos lembrar que Jesus é o Supremo Rei de todo o Universo. Como tal, Ele governa soberano sobre os acontecimentos da história humana, de maneira que estes sejam direcionados de acordo com o plano que foi estabelecido desde antes da eternidade.


Para governar, Jesus Cristo não precisa de voto, de presidentes, de maioria no Congresso, de ministros no STF. Afinal,


“nEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.16,17).

Pr. Nelson Galvão

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