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Como lidar com os pobres na Igreja?


De acordo com dados mais recentes divulgados pelo Banco Mundial[1], em 2020 foi verificado que 1,95% da população brasileira vive em extrema pobreza. Ainda que esse número esteja em declínio, ainda assim, isso representa 4,14 milhões de brasileiros que vivem com cerca de R$ 10,90 por dia.


Desde tempos antigos, a fome assola a humanidade. Historicamente, a Igreja cristã sempre fez frente a este grande mal e legou riquíssimos exemplos na história quanto ao auxílio aos pobres.


Entretanto, a partir do séc. XIX, com o advento das ideologias sociais, o mundo ocidental passou a sofrer o impacto do pensamento de que o auxílio aos pobres é uma responsabilidade do Estado.


Esse pensamento influenciou também o cristianismo, por meio da Teologia da Libertação (Igreja Católica) e a Missão Integral (Igreja Evangélica).


Diante disso, muitos cristãos deixaram a compreensão bíblica da questão e passaram a trata-la a partir de uma perspectiva marxista (ainda que desavisados).


Sendo assim pretendo aqui resgatar alguns princípios gerais bíblicos sobre o assunto. Nosso espaço aqui não nos permite esgotar o assunto, nem trata-lo de maneira mais ampla. Intento ser muito específico, e lidar com a pobreza no contexto da Igreja. Então, a pergunta é: como lidar com os pobres na Igreja local?


1. Seja sensível ao clamor dos pobres

A Bíblia é rica na exortação a que não endureçamos o coração para o pobre. Os pobres devem ser acolhidos e tratados com justiça, e não somente pelo Estado. Aquele que assim procede ao pobre, honra a Deus, será abençoado e ele mesmo não padecerá necessidade (Dt 15:7; Dt 24:14; Pv 21:13; Pv 14:31; Pv 19:17; Pv 22:9; Pv 28:8; Pv 29:7; Pv 31:9; Pv 31:20).


2. Ajude-o a trabalhar

Como essa ajuda deve ser feita? A Lei de Moisés nos dá uma boa dica de como fazer isso: O dono do campo não deveria colher todo o produto da terra, mas deixar uma parte para o pobre fazer a colheita (Ex 23:11; Lv 19:10). Rute e Noemi foram beneficiadas por este princípio.


A ideia é uma “Bolsa trabalho”; fornecer uma estrutura mínima para que o pobre trabalhe e assim tenha o subsídio básico para a sua subsistência.


Claro que não me refiro aqui daquela pobreza que advém de tragédias naturais, enfermidades, guerras, etc, que impossibilitam o pobre para esse trabalho. Nesses casos, o auxílio deve ser imediato, direto e irrestrito.


3. Entenda o motivo da pobreza

Como mencionei anteriormente, existe aquela pobreza que as pessoas são acometidas por tragédias naturais, enfermidades, guerras, etc.


Entretanto, existem outros motivos para a pobreza. Pode ser a má gestão financeira, ou até mesmo a preguiça. Provérbios fala muito sobre essa última causa. De acordo com o livro de sabedoria, aqueles que trabalham com mão displicente, que ficam só em palavras, que amam o sono e seguem a ociosos, estes empobrecem (Pv 10:4; Pv 14:23; Pv 20:13; Pv 24:34; Pv 28:19).


Sendo assim, ajudar com donativos alguém assim seria alimentar uma atitude que o leva à pobreza. Nesse caso, a melhor ajuda seria a exortação.


4. A prioridade deve ser dada aos crentes

Perceba que mencionei “prioridade” (At 11.28-30; Rm 15:26; 2 Co 9. 10-12 – 10). Isso significa duas coisas:

a. Todos devem ser amparados, independente se é membro da igreja local, ou não.

b. A prioridade deve ser dada aos membros da igreja. Aqui a questão é de coerência. Seria muito estranho prestarmos auxílio para um estranho, sendo que alguém de nossa casa esta passando necessidade


5. Verifique quem realmente é necessitado

Em 1 Tm 5.3, Paulo diz: “Cuida das viúvas de fato necessitadas”. Isso é muito interessante! Isso significa que havia viúvas que, embora se apresentassem como necessitadas, não o eram de fato.


O Banco Mundial tem uma classificação de pobreza. Penso que isso é importante para nos ajudar a identificar aqueles que realmente passam por dificuldades.


6. Os necessitados devem ser socorridos primeiramente pelos seus parentes

A Palavra de Deus nos ajuda com mais um princípio muito importante: Auxilie aqueles de sua família. (Lv 25:25; Lv 25:35; 1 Tm 5.4-8)


Ao escrever a respeito do caso das viúvas, Paulo da um motivo: “não se sobrecarregue a igreja, para que esta possa ajudar as viúvas de fato necessitadas (1 Tm 5.16).


7. Os donativos devem ser organizados pelos líderes

Este princípio pretende a organização, especificamente quando as doações são feitas pela instituição, a igreja local. Se algum crente individualmente quer auxiliar alguém faça-o livremente, mas quando a doação é feita pela igreja, então os lideres devem ser acionados para isso (At 11.28-30; At 6.1-3).


8. Mesmo os pobres devem ser generosos

Curioso! Como assim? Até mesmo os pobres devem olhar para a pobreza do outro? Paulo afirmou que os crentes da Macedônia deram livremente, mesmo em extrema pobreza.( 2 Co 8. 1-4). Incrível! Como isso é possível? O apóstolo responde: “a graça de Deus” (2 Co 8.1). Quer ver isso acontecer? Pertença a uma igreja realmente cristã!


9. Devem ser tratados com justiça, sem discriminação

Por fim, a Bíblia nos exorta a fazermos justiça ao pobre. Essa justiça deve ser executada em não discriminar o necessitado, mas também em não favorece-lo por ser pobre (Lv 19:15; Tg 2.1-9).


Que o Senhor nos ajude a ter um entendimento cada vez mais bíblico sobre essa importante questão.


Pr. Nelson Galvão

[1] https://exame.com/brasil/extrema-pobreza-no-brasil-caiu-para-minima-historica-em-2020-aponta-banco-mundial/

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