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  • indaiatubapibi

Bem sei que tudo posso?!

Atualizado: 28 de mar.


“Você pode ser o que quiser!”


“Por trás de toda mulher bem-sucedida existe ela mesma.”


“Mulher poderosa é aquela que anda de cabeça erguida e não se curva pra ninguém.”


“Sinta muito orgulho pelo que você é por dentro e por fora.”


“Aprecie cada parte de você! Você já é perfeita!”


A cultura do empoderamento feminino tem chegado até nós com este tipo de apelo à autoestima e à autoconfiança. Mulheres empoderadas – dizem-nos – têm independência e autonomia, elas sabem fazer valer a sua vontade. A mulher é incentivada a desenvolver o autoconhecimento, amar a si mesma, saber se priorizar, respeitar suas vontades e tomar as próprias decisões. Dito em outras palavras: eu, eu, eu, eu e... eu mesma.


Será este um resultado desejável? Mulheres ensimesmadas, que têm muito orgulho de si, apreciam cada parte de si, não se curvam pra ninguém e não precisam de ninguém? (Quão difícil é conviver com pessoas assim!) Por vezes me parece que essa cultura do empoderamento quer que afirmemos com arrogância: Bem sei que tudo posso e que nenhum dos meus planos pode ser impedido!


Como precisamos da Palavra de Deus para conhecer a verdade e viver de acordo com ela! Ao refletir sobre quem é Deus, formamos uma percepção mais realista e verdadeira de quem somos nós – e não sobra lugar para essa história de mulheres empoderadas e cheias de orgulho. Quando ouvimos Deus falar, aprendemos o que é PODER de fato.

Os capítulos finais do livro de Jó são um desses momentos em que Deus fala. Em Jó 38 a 41, o Senhor dirige a palavra a Jó do meio de um redemoinho (tente imaginar essa cena de poder majestoso!). Quem conhece a história esperaria que Deus chegasse com explicações e consolo para o pobre Jó. Mas, em vez disso, o Senhor o desafia:


“Quem é este que obscurece o conselho com palavras sem conhecimento? Agora prepara-te como homem; porque te perguntarei, e tu me responderás” (Jó 38.2,3).


E então Deus faz perguntas. Muitas perguntas! Cerca de setenta delas. No capítulo 38, Deus propõe a Jó questões como estas:


v. 4-7: Onde você estava quando eu criei a Terra?

v. 8-11: Quem colocou limites no mar?

v. 12-15: Você pode dar ordens para o dia amanhecer?

v. 16-18: Você já foi até os mananciais do mar, ou às portas da morte, ou compreende a largura da terra?

v. 19-21,24: Você sabe onde ficam a luz e as trevas?

v. 22-30,34-38: Você tem qualquer controle sobre a neve, o granizo, vento, aguaceiro, relâmpago, trovão, chuva, orvalho, gelo, geada, nuvens?

v. 31-33: Você pode manipular as estrelas? Conhece as leis que governam os céus?

v. 39-41: Você pode alimentar os animais?


Tais perguntas “ajudam Jó [e a nós] a reconhecer o que está além do alcance do conhecimento e do poder de qualquer mortal”.1 É muito interessante observar como, ao longo de todo o texto, o Senhor questiona o conhecimento de Jó, empregando até mesmo uma certa ironia: “Conta-me, se tens entendimento” (v. 4). “... se é que o sabes” (v. 5). “Conta-me, se sabes tudo isso” (v. 18). “Por certo tu o sabes, pois já eras nascido e os teus dias são numerosos!” (v. 21).


Deus também questiona o poder de Jó: “Desde o início de tua existência, deste ordem à madrugada...?” (v. 12). “Podes atar as cadeias das Plêiades...?” (v. 31) “... podes estabelecer o seu domínio sobre a terra?” (v. 33). “Podes levantar tua voz até as nuvens...?” (v. 34).


Você sabe? Você pode?


A essa altura, já baixamos a cabeça e reconhecemos que não, não sabemos nem podemos todas essas coisas. Mas o Senhor continua fazendo perguntas por todo o capítulo 39. E então, no 40, ele convoca Jó a responder:


“E o Senhor disse mais a Jó: Aquele que contesta o Todo-poderoso poderá corrigi-lo? Responda a isso quem acusa a Deus” (Jó 40.1,2).


O “Todo-poderoso”. Aquele que tudo pode. Que detém todo o poder. Esse termo aparece mais de trinta vezes no livro de Jó e, aqui, usado pelo próprio Deus. E ele menciona três verbos que não parecem combinar, na mesma frase, com “Todo-poderoso”: contestar, corrigir e acusar. Quem se atreveria a contestar, corrigir e acusar o Todo-poderoso? Mas, sejamos francas, será que não fazemos isso com frequência? Será que não contestamos Deus quanto ao clima que ele escolheu para hoje – justo hoje, em que tínhamos planos tão especiais?! Será que não corrigimos o Senhor, mostrando a ele que nossa vontade é melhor? Será que não o acusamos quando ele permite que uma doença, acidente, tragédia ou sofrimento de qualquer natureza nos atinja, ou a alguém que amamos? Vale refletir sobre isso, enquanto observamos a reação de Jó, homem íntegro e temente a Deus:


“Então Jó respondeu ao Senhor: Eu não sou digno; que te responderia? Pelo contrário, tapo a boca com as mãos. Falei uma vez, mas não repetirei, ou mesmo duas vezes, porém não insistirei” (Jó 40.3-5).


Eu não sou digno. Jó não tem como responder ao Senhor. E nós?


“Então, do meio do redemoinho, o Senhor respondeu a Jó: Prepara-te, como homem que és; eu perguntarei e tu me responderás. Tu me submeterás a juízo? Haverás de condenar-me para te justificar? Tens braço como Deus? Tua voz pode trovejar como a dele? Se for assim, enfeita-te de excelência e dignidade; veste a ti de glória e esplendor. [...] Então eu também confessarei que a tua mão direita poderá te dar a vitória” (Jó 40.6-10,14).


As perguntas ainda não terminaram. Jó continua a ser questionado quanto ao seu conhecimento e poder. Pela segunda vez, Deus o desafia: “Prepare-se como simples homem que é” (v. 7, NVI) ou “Cinja os lombos como homem” (NAA). Responda às perguntas de Deus. Faça o que o braço de Deus faz. Vista a si mesmo de dignidade e de glória. Você pode?


Na sequência do texto, o Senhor vai falar de dois animais incríveis de sua criação, sobre os quais o homem não tem qualquer controle: o Beemote e o Leviatã. Que animais serão esses? Espero deixá-la curiosa para ler a descrição de Deus a partir de Jó 40.15 e por todo o capítulo 41. E o centro do argumento do Senhor é: “Ninguém é tão ousado que se atreva a incomodá-lo [o Leviatã]. Quem pois se levantaria para me enfrentar? Quem primeiro deu a mim, para que eu lhe retribua? Tudo o que existe debaixo do céu é meu” (Jó 41.10,11).


Quem somos nós diante do Criador e dono de tudo o que existe?


Deus graciosamente se revelou a Jó, falando com ele do redemoinho. Deus não deu qualquer explicação sobre as causas do sofrimento de seu servo, apenas fez perguntas. Levou Jó a refletir sobre quantas coisas ele não sabia e sobre quão pouco poder ele tinha, como “simples homem” que era. Por outro lado, Deus revelou sua própria grandeza, seu poder absoluto e sua onisciência. Diante disso, como Jó respondeu? O que ele disse para Deus?


“Então Jó respondeu ao Senhor e disse: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Tu perguntaste: ‘Quem é este que, sem conhecimento, encobre os meus planos?’ Na verdade, falei do que eu não entendia, coisas que são maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Disseste: ‘Escute, porque eu vou falar; farei perguntas, e você me responderá.’ Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.1-6, NAA).


Diante do conhecimento e da força do Todo-poderoso, o homem se humilha e se cala. Quando Deus fala, vemos que não temos conhecimento e não temos poder, mas Deus é onisciente e onipotente. Quando o Senhor graciosamente se revela a nós, por meio de sua Palavra, não há como responder com orgulho, apenas reconhecer a grandeza do Senhor e render-se a ele. Não há como dizer: Bem sei que tudo posso, mas sim: Bem sei que tudo podes!


O mundo brada: Empodere-se! A Bíblia diz: “Portanto, humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que ele a seu tempo vos exalte” (1Pe 5.6).


Mulheres que foram alcançadas pela graça de Deus e ouvem sua Palavra não podem se tornar a cada dia mais empoderadas, autossuficientes e cheias de si. Pelo contrário, quanto mais conhecemos nosso Deus, maior a consciência de nossa indignidade perante ele e nossa total dependência dele.


Um coração humilde não é algo que podemos produzir sozinhas. Só pode ser obra de Deus em nós, porque reflete o caráter do nosso Salvador, Jesus Cristo. Pois ele, sendo Deus Todo-poderoso, que lançou os fundamentos da terra, e por meio de quem todas as coisas foram criadas; sim, sendo ele o Deus onisciente que conhece as leis do céu e dá ordens para o dia amanhecer; o Deus onipotente que traçou limites para o mar e controla o granizo, o vento, os relâmpagos, as nuvens, as estrelas... Sendo ele o Deus Criador que formou todas as criaturas e as sustenta; esse Jesus,


“existindo em forma de Deus, não considerou o fato de ser igual a Deus algo a que devesse se apegar, mas, pelo contrário, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens. Assim, na forma de homem, humilhou a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.6-8).


Deus sabe que somos indignos e, em nosso pecado, nunca poderíamos ir até ele. Então ele veio até nós. Ele “cingiu seus lombos como homem”, veio como “simples homem”, porém sem pecado. Levou sobre si o castigo das nossas iniquidades. Morreu na cruz, ressuscitou e está entronizado à direita de Deus Pai. Aqueles que creem em Jesus são, então, vestidos com a sua justiça. Deus declara “justos” os que confiam em seu Filho.


Obrigada por tanto, Senhor Jesus! Queremos crescer no conhecimento do Senhor, não para nos tornarmos mais autônomas e orgulhosas, mas sim humildes e dependentes de ti. Não para amarmos mais a nós mesmas, mas para amarmos o Senhor com todo o nosso coração, alma, mente e forças. Não para priorizarmos a nós mesmas, mas para servirmos os outros. Não para nossa própria glória, mas para a tua, pois só tu és digno.


Priscila Michel Porcher



Priscila é esposa do Marzo e mãe do João Victor e da Laila. Membro da Primeira Igreja Batista em Indaiatuba, onde ama servir ao Senhor junto às mulheres e na turma de Juniores. É formada em Letras, trabalha com revisão de Português e escreveu Meninos como você, da Editora Peregrino.

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