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ALEGRIA. Qual é o segredo?


Muita saúde e jovialidade. A conta bancária com fundos que permitem viagens, hotéis e restaurantes. A casa dos sonhos e casas na praia e no campo. Uma esposa dedicada e filhos que o amam! Este é o cenário ideal para a declaração:


“Tu nos despertaste para o prazer de te louvar, pois nos criaste para ti, e o nosso coração não tem sossego enquanto não repousar em ti”.[1]


Bem, não é bem assim! Você já deve ter ouvido falar de Agostinho. Ele viveu no séc. IV d.C, na época do saque de Roma pelos Visigodos. Seu livro “Cidade de Deus” foi escrito nesse ambiente decadente do império romano marcado pelo caos político, social, econômico e espiritual. Mas ainda assim, em seu livro “Confissões”, Agostinho fez essa declaração.


Me chama a atenção Agostinho falar de “prazer” em um contexto de caos! Como é possível?


Paulo nos ajuda a responder a essa pergunta. A exortação de Paulo aos filipenses é: “alegrai-vos no Senhor” (3.1). Essa exortação é repetida em 4.4 e mencionada em 4.10. Paulo já mencionou antes a alegria nessa carta. Aliás, ele menciona essa palavra pelo menos 15 vezes em toda a carta. Ele disse que a cooperação dos filipenses na causa do Evangelho lhe trazia alegria (Fl 1.5); que o fato de Cristo ser anunciado lhe trazia alegria (Fl 1.18); que a comunhão entre os filipenses lhe agregava alegria (Fl 2.2); que a fé operosa dos filipenses lhe dava alegria (Fl 2.17).


Perceba que a alegria de Paulo tinha mais haver com o Evangelho do que as circunstâncias temporais, o que nos deixa curiosos, uma vez que na ocasião ele estava preso. Qual é o segredo da verdadeira alegria? Veja novamente a exortação: “alegrai-vos no Senhor” (3.1 – grifo meu). Aqui está o ponto: a verdadeira alegria tem como fonte o Senhor. De que Senhor ele se refere? Veja o verso 8: “Cristo Jesus, meu Senhor”. A verdadeira alegria encontra-se em Cristo.


Mas... o que significa alegrar-se em Cristo? Na sequência, Paulo contrapõe os maus obreiros (v. 2), com ele e seus cooperadores (v. 3). Os maus obreiros eram aqueles judaizantes que insistiam que a salvação se dá pela fé em Jesus e pelas obras. Afirmavam que Cristo não é suficiente para a salvação; é preciso algo mais a fim de merecer o céu.


Sem dúvida, o conceito de salvação pelas obras faz parte da natureza caída do homem que o escraviza ainda mais em religiosidade que só traz mais amargura para a alma. Jesus chamou isso de “fardo” (Mt 11.30). O fardo do esforço de agradar a Deus por meio de nossos esforços em sermos corretos é um peso que nos esmaga! Por isso, Jesus disse:


“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." (Mt 11.28-30).

Aqueles que abandonam esse fardo, por meio da confiança exclusiva em Cristo desprezam a confiança em seus próprios méritos. Paulo descreve sua experiência enquanto judeu fervoroso em sua religião (v. 4-6). Ele poderia orgulhar-se de ser zeloso nos preceitos religiosos. Mas considerava isso como “esterco” (v. 8)! Por que? Porque é negando a própria capacidade de alcançar o céu que abraçamos a justiça que vem exclusivamente da fé em Cristo (v. 9) e participamos tanto dos sofrimentos de Cristo quanto da ressurreição de Cristo (v. 10,11).


Talvez você esteja sobrecarregado(a) de culpa e carregue um fardo enorme pelos seus erros no passado, seja no casamento, com seus filhos, ou com seus pais. Talvez você esteja à procura de ser uma pessoa melhor e esteja em busca de uma forma de pagar por seus erros através da religião, ou de boas ações. Ou você já desistiu de ser o que não consegue e vive de forma cínica, flexibilizando/relativizando padrões morais.


De todo modo, o esforço em ser a boa pessoa que você deveria ser, mas não consegue ser, tem te trazido amargura, tristeza e até mesmo indiferença. Bem, eu quero apresentá-lo à fonte da verdadeira alegria: a confiança exclusiva na morte e ressurreição de Cristo como pleno pagamento pelos seus pecados. Somente em Cristo nossa dívida com Deus é plenamente paga e a nossa alma livre para experimentar a verdadeira alegria.


Dessa forma, a fonte da alegria não está nas circunstâncias favoráveis da vida. É claro que desejamos boas coisas e nos alegramos quando as temos, seja saúde, ou o sucesso nos negócios. Mas, a verdadeira alegria, plena satisfação da alma, somente se encontra em Jesus Cristo. Nas palavras de Agostinho:


“onde quer que se volte a alma humana, a não ser que se volte para ti, ela se fixa em tristezas; sim, mesmo quando contempla coisas belas”.[2]


Pr. Nelson Galvão


Referências

[1] Agostinho. Confissões: Livros de 1 a 10 (Clássicos MC) (Locais do Kindle 164-165). Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle. [2]Ibid. (Locais do Kindle 1051-1052).

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