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A Bíblia é a Palavra de Deus?


Se você é um cristão é provável que responda a essa pergunta com um retumbante “SIM”. Entretanto, permita-me contar rapidamente três ocasiões que nos ajudarão a refletir sobre esse “SIM”.


A primeira foi um diálogo com um jovem seminarista. Ele estava muito abatido e desorientado. Ele disse que pertencia a uma igreja pentecostal e a “profeta” da igreja o havia orientado da seguinte forma:


- Filho, você anda estudando demais a Bíblia. Estudar a Bíblia é bom, mas você pode ficar “frio” com isso. Você precisa dar mais liberdade ao Espírito!


A segunda ocasião foi um diálogo com um pastor de jovens. Este compartilhou que estava enfrentando muita dificuldade em sua igreja, pois um grupo de jovens se reuniu e disse a ele:


- Pastor, temos que diminuir os estudos bíblicos. Os jovens precisam é de mais confraternizações, espaço para diversão e bate-papo.


A última ocasião se refere ao dia que visitei a EBD de uma determinada igreja histórica. Me deparei com a afirmação de um dos pastores que ensinava para todos da igreja, reunidos em classe única:


- Irmãos, a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas se torna a Palavra de Deus à medida que temos experiência com ela.


O que há de semelhante nessas três ocasiões? A rejeição direta ou indireta à Palavra de Deus.


A primeira ocasião remonta a muitos evangélicos que rejeitam as Escrituras (não diretamente, mas na prática) em nome de pretensas experiências místicas. Nesses meios, a Bíblia é tida com desconfiança, especialmente onde se contrapõe a revelações, sensações, sonhos e visões. Por exemplo, a Bíblia é clara quando proíbe o casamento com um descrente (1 Co 7.39). Mas aí a Joana foi à profeta “fulana de tal”. Esta lhe deu uma profecia dizendo que se case com aquele rapaz que conheceu e está apaixonada, embora não seja crente no Senhor. Então, o que a Joana faz? Segue a “profeta”. O que acontece é que Joana afirma que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas, na prática, nega as Escrituras.


A ocasião da conversa com o pastor de jovens aponta para os evangélicos de igrejas emergentes que entendem que apego às Escrituras é coisa do “arcaísmo dos tempos apostólicos”. Então, de acordo com estes, bom mesmo é o “louvorzão”, ao invés de estudo da Palavra, “encontro” ao invés de culto, “bate-papo” ao invés de pregação, “descontração” ao invés de serviço, “terapia em grupo” ao invés de confrontação bíblica.

A terceira ocasião que diz respeito à visita à EBD remonta a uma corrente teológica muito popular entre inúmeras igrejas históricas no Brasil, o neoliberalismo. Segundo esta corrente teológica, a Bíblia não é totalmente a Palavra de Deus, somente algumas partes. Assim é comum ouvir em igrejas afetadas por essa teologia: “Paulo era machista”; ou: “esse texto não é para a nossa época”.


Nessas igrejas, os textos bíblicos, quando lidos, são interpretados de maneira subjetiva e o que mais se ouve são coisas do tipo: “assim como Deus libertou Daniel da cova dos leões, Ele vai te libertar da cova do problema em que você se encontra”! Dessa forma, na prática, a Bíblia é rejeitada como Palavra de Deus.


Essas histórias nos indicam que, embora a maioria do povo cristão no Brasil afirme categoricamente que a Bíblia é a Palavra de Deus, na prática, muitos a negam, como inspirada, inerrante, autoritativa e suficiente. Uma marca triste que faz muitas igrejas no Brasil serem tudo, menos evangélicas.


O resultado disso, dentre outras coisas, é o número cada vez maior de pessoas que se converteram a uma “cultura evangélica”, mas não ao Cristo das Escrituras. Sendo assim, não têm convicção de sua fé, e isso porque não conhecem o que crêem. Alguém sem a Palavra de Deus é alguém sem convicção (cf. Rm 10.17). Alguém sem convicção é alguém levado por todo e qualquer pensamento (Ef 4.14). Não é por acaso que muitas igrejas evangélicas brasileiras historicamente têm sido levadas por “ondas” de doutrinas.

Dessa forma, consideremos algumas perguntas para reflexão:


a- Você conhece ao Cristo das Escrituras e tem convicção daquilo que crê?

b- Você estuda as Escrituras regularmente procurando saber quem é Deus e o propósito dEle para a Sua vida?

c- A sua família se reúne regularmente para o estudo das Escrituras?

d- Os nossos encontros da juventude, de casais, pequenos grupos, etc, são marcados pelo estudo da Palavra de Deus, embora ainda haja os momentos de lazer?

e- Entre nós existe a predominância de estudos fundamentados em conceitos da psicologia, sociologia e outras disciplinas humanistas (até mesmo com profissionais dessas áreas), ou a Palavra de Deus tem a primazia?

f- Desejamos e fomentamos pequenos grupos de estudo da Palavra de Deus, diretamente do Texto Sagrado, e seguindo o princípio de interpretação histórico-gramatical?

g- Nossos pensamentos sobre casamento, criação de filhos, trabalho, política, economia, sociedade, sexo, arte, lazer, etc, estão submetidos às Escrituras?

h- O que tem sido mudado em nós a partir do estudo das Escrituras?


Precisamos responder sinceramente a essas perguntas. Elas nos ajudarão a refletir se, embora afirmemos que as Escrituras são a Palavra de Deus, na prática temos a rejeitado como tal. Que o Senhor nos ajude a que a nossa prática esteja de acordo com o nosso discurso!



Pr. Nelson Galvão

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