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É mais importante obedecer a Deus que aos homens

Atualizado: 17 de abr.


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O prisioneiro estava em uma casa sendo interrogado por autoridades. Era uma noite fria. Os funcionários estavam no pátio, sentados ao redor de uma fogueira. Não era uma roda de amigos. O ambiente estava carregado de tensão e temeridades. De repente, alguém se dirige a um estranho entre os funcionários e afirma: “Você também estava com Jesus, o galileu”. Pedro, tomado de grande pavor, respondeu por três vezes veementemente: “Não conheço esse homem” (Mt 26.69-75).

 

Por volta de um ano depois, o prisioneiro era outro. Dessa vez é o próprio Pedro e os demais apóstolos. No interrogatório, as autoridades ordenaram veemente que se calassem em relação a Jesus, sob risco de tortura e até mesmo de morte. Dessa vez a resposta de Pedro foi muito diferente: “É mais importante obedecer a Deus que aos homens” (At 5.29).

 

Incrível! Circunstâncias semelhantes, mas respostas diametralmente diferentes! O que mudou em Pedro? O que fez com que um ano depois que o apóstolo negou com tanta veemência conhecer Jesus, em outra ocasião estar disposto a dar a própria vida por ele?

 

Antes de responder a essa pergunta, me permita dizer algo. Meu querido, todos aqueles que se identificam com Jesus, que professam a fé em Jesus Cristo enfrentam situações semelhantes as de Pedro. O próprio Jesus avisou que isso iria acontecer:

 

“Cuidado com os homens, pois eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; e por minha causa sereis levados à presença de governadores e reis, para que deis testemunho, a eles e aos gentios. (Mt 10.17,18).

 

O apóstolo Paulo experimentou isso intensamente e avisou ao seu discípulo Timóteo que isso iria acontecer a todos que vivem piedosamente:

 

“Na verdade, todos os que querem viver uma vida piedosa em Cristo Jesus sofrerão perseguições”. (2 Tm 3.12)

 

Sim, mesmo em um país “livre” sofremos pressões. Seja no trabalho, na universidade, ou até mesmo na família. Se não experimentamos algum tipo de pressão por causa de Cristo, muito provavelmente é porque temos relativizado/flexibilizado a fé.

 

É interessante notar que a perseguição nunca é justificada de acordo com o que ela realmente é. Ela sempre vem com uma justificativa que parece plausível. Por exemplo, os cristãos nos primeiros séculos eram perseguidos porque supostamente tinham rituais secretos de antropofagia (essa acusação remonta à ceia do Senhor: “Este é o meu corpo e o meu sangue”). Os cristãos na atualidade na China são perseguidos porque o governo de Xi Jinping e sua política de sinização (ou chinização), quer secularizar a religião para que a fé se alinhe aos objetivos do Partido Comunista Chinês. Assim, as pessoas chamam os discípulos de Cristo de legalistas, ignorantes, retrógrados, radicais, fundamentalistas, etc.

 

A grande questão é: Como nos portamos quando somos pressionados a nos calar? Nós cristãos somos os funcionários mais fiéis que existem, mas quando somos pressionados a nos calar, então estamos dispostos a até mesmo perder o emprego. Somos os melhores filhos que pode haver, mas quando somos pressionados a negar a fé, então estamos dispostos a ser rejeitados pelos próprios pais. Somos os melhores cônjuges, mas quando nosso marido/esposa nos pressiona a negar Jesus, então estamos dispostos a perder o cônjuge (Mt 10.36,37).

 

Infelizmente, a realidade é que quando pressionados por conta de nossa fé em Cristo, somos tentados a relativizar a fé, por conta do temor a homens, seja o chefe, os colegas de trabalho, o professor, o marido/esposa, o filho (quando somos idosos).

 

Como lidar com isso, então? Voltemos à resposta de Pedro. A resposta de Pedro continuou e nos dá luz para entendermos a mudança que aconteceu ao apóstolo. Veja:

 

“O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro. Sim, Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para conceder a Israel o arrependimento e o perdão de pecados. E nós somos testemunhas dessas coisas, e também o Espírito Santo, que Deus concedeu aos que lhe obedecem.” (At 5.30-32).

 

Aí está a mudança. Acompanhe comigo as partes dessa resposta:

 

1-  v.30 – Vocês mataram Jesus, mas o Deus de nossos pais o ressuscitou;

2-  v.31 – Ele foi feito “Príncipe” (Soberano) e Salvador;

3-  v.32 – Nós somos testemunhas dessas coisas, bem como o Espírito Santo.

 

O que transformou Pedro de alguém temeroso para um corajoso arauto do Evangelho? A ressurreição de Jesus, a convicção de que Ele é o Soberano/Salvador, e que o apóstolo era sua testemunha, sendo auxiliado pelo Espírito Santo.

 

Na recém controvérsia de Elon Musk e Alexandre de Moraes, me chamou a atenção o que Elon Musk disse: “Quando recebemos uma ordem para infringir a lei, devemos recusar”.

 

Elon Musk evocou o princípio da desobediência civil. Esse princípio se refere à ação do povo de se recusar a obedecer às autoridades (ou a leis) quando estes infringem a lei, ou a princípios mais elevados. Esse princípio evocado por Musk vem de uma longa tradição cristã que tem como ponto de partida exatamente as palavras de Pedro, em Atos.

 

Entendo que em muitas ocasiões, em nosso contexto brasileiro, tem nos faltado a coragem necessária para a “desobediência civil”. Existem pautas sociais hoje que se relacionam diretamente com nossa fé em Cristo (ideologia de gênero, aborto, divórcio, papel das mulheres, direita/esquerda, etc). Por conta do “desgaste” que elas causam, infelizmente, consentimos em nos calar, a relativizar, ou até mesmo a rejeitar a nossa identificação com Cristo. E digo com tristeza que essa atitude tem sido empreendida por muitos líderes evangélicos!

 

Acontece que se manter fiel a Deus, em detrimento a sermos subservientes por conta do temor a homens, só é possível quando somos transformados pela iluminação de nossa mente com o Cristo ressurreto, Soberano e Salvador. Diante disso, somos feitos suas testemunhas em todas as circunstâncias.

 

Sendo assim, a pergunta que temos que enfrentar é: “eu sou um frequentador de igreja, ou eu realmente tenho a mente/coração transformados pelo Cristo ressurreto?”.


pr. Nelson Galvão

 

 

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